“É assim. Os cavalos selvagens são domados. Transformam-se em cavalos mansos, bons para serem montados.” Pausa. “Acho que o casamento é assim. A gente é cavalo selvagem, indomável. Até o momento em que se apaixona por uma mulher. Fica manso de repente, vai até ela e lhe diz: ‘Pode me montar’… Ela aceita o convite, põe arreio, freio, rabicho, aperta a barrigueira, calça esporas e monta. E a gente vai marchando de mansinho, obediente às ordens, à rédea, à espora… Quando ela quer ela apeia, amarra o cabresto num poste, e a gente fica lá, paciente, trocando pernas, abanando as moscas com o rabo, esperando. Ele não vai nos abandonar nunca porque um cavalo manso marchador é coisa que não se joga fora. Vai cavalgar com o corpo. Mas a sua alma estará sempre voando a galope no cavalo selvagem…”



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